Alunos do 1º ano do Colégio Medianeira visitaram o Centro Ictiológico da URI e viveram um dia de descobertas em meio à natureza
O céu amanheceu cinza. A tarde não foi diferente. Uma névoa fina cobria os caminhos como se fosse um cobertor de nuvem e o vento gelado soprava pelas frestas dos casacos coloridos. Mas nada disso espantou o grupo animado do 1º ano do Colégio Medianeira. Guiados pelas Professoras Sibéle Corsini, Ustane Moscato e Gisele Rosso Pilar, os pequenos saíram da escola em busca de uma aventura no mundo dos animais.
E aqui no Centro Ictiológico da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) Câmpus de Santiago, os peixinhos pareciam saber que estavam prestes a receber visitas especiais. Nadavam devagar, quase como se estivessem dançando para receber os novos amigos. Os tanques de água refletiam o céu fechado, mas bastava uma criança se aproximar para que tudo se iluminasse, com olhares atentos, dedos apontando, perguntas curiosas e sorrisos que nem o frio conseguiu congelar.
Tinha peixe grande e pequeno, colorido e discreto. Tinha ovelha que balia como se estivesse dando boa tarde. Tinha ave de penas macias que espiava os visitantes com olhos redondos e sábios. Tinha cheiro de mato, barulho de folha pisada e até silêncio, aquele tipo de silêncio que só existe quando a gente está prestando atenção de verdade.
- Durante essa experiência, tiveram a oportunidade de conhecer diferentes tipos de animais e aprender sobre os cuidados específicos que cada um requer. Essa atividade enriqueceu ainda mais o aprendizado dos educandos, proporcionando uma vivência prática e significativa sobre o mundo animal e o cuidado que devemos ter com os seres vivos. - disse a Profa. Ustane, que conhece bem o jeito que os bichos têm de ensinar sem usar palavras.
Aqui no Centro Ictiológico, uma idealização do Prof. Olmiro Bochi Brum, cada tanque de peixe é também um espelho onde se pode ver o reflexo da vida. Desde 2014, o espaço não é só laboratório, uma referência regional de desenvolvimento e criação de peixes de produção e ornamentais, é quintal de descobertas, onde a ciência caminha de mãos dadas com a natureza. E com a ajuda da Profa. Eurides Figueiró Gomes e de bolsistas dedicados, o lugar respira cuidado e educação.
A última quinta-feira (05), foi um dia de aprender sentindo: com os olhos, com o toque, com o coração. E também um dia de acolher: porque ali, entre peixes, pássaros, aves, coelhos e ovelhas, havia espaço para cada criança ser quem é, no seu tempo e do seu jeito.
Na volta, pelo caminho, alguém cochichou baixinho:
- Eu acho que o peixe me olhou.
E outro respondeu:
- Eu também. E acho que ele sorriu pra mim.
E, quem sabe, sorriu mesmo. Porque quando o aprendizado vem com encantamento, até os peixes têm história para contar.
O Centro Ictiológico da URI Santiago está de portas abertas para receber pequenos (e grandes) exploradores. Todas as escolas estão convidadas a embarcar nessa jornada encantada, onde a ciência tem cheiro de mato, gosto de descoberta e som de risada de criança. Porque aprender, por aqui, é também sonhar com os olhos bem abertos.