Iniciativa dos acadêmicos e o compromisso da instituição, alinhando formação acadêmica e engajamento ético
Luz, sombra, e muita expressão.
No último sábado (18), os primeiros passos acadêmicos dos futuros psicólogos se transformaram em arte e reflexão, durante a exposição realizada no Espaço Strazzabosco, como parte das atividades da Semana da Luta Antimanicomial. O evento foi protagonizado pelos estudantes do 1º semestre do Curso de Psicologia da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) Câmpus de Santiago, orientados pela Professora Rosângela Montagner, e integrou a disciplina de Projetos Integradores (PI) do Curso.
A mostra fotográfica foi construída em diálogo coletivo e contou com registros sensíveis assinados pela acadêmica Ana Girardi, que captou, por meio de suas lentes, os múltiplos sentidos de uma luta que é também por visibilidade, escuta e cuidado. As imagens, pensadas e compostas em grupo, resultaram de um processo criativo que envolveu pesquisa, diálogo e sensibilidade.
- Junto dos meus colegas, tudo se tornou mais denso e mais dinâmico. Pudemos colocar tanto o olhar deles quanto o meu. A experiência em grupo tornou tudo mais leve. Os registros foram feitos ao longo de dias que representaram momentos de muito aprendizado e expectativa -, relatou Ana.
O evento reuniu estudantes, professores e autoridades locais, dentre elas o Secretário Municipal de Cultura, Márcio Brasil, e a Secretária Municipal de Saúde, Silvana Oliveira. A presença de representantes do poder público serve para demonstrar a importância do tema e do diálogo entre Universidade, comunidade e políticas públicas.
A Semana da Luta Antimanicomial, que ocorreu em todo o país, é mais do que uma data simbólica, é um movimento por práticas de cuidado que respeitem a liberdade, os direitos e a dignidade das pessoas em sofrimento psíquico. Nesse contexto, a instituição prioriza a produção de conhecimento que não se constroi de forma isolada, mas emerge das relações com o outro, com o diverso e com os múltiplos sentidos produzidos nas relações humanas.
Em meio às fotografias expostas havia mais do que rostos ou cenas, havia escuta que não julga, mas acolhe. Havia inquietações e perguntas que ainda não têm resposta e também a certeza de que o mundo precisa de psicólogos sensíveis, comprometidos com o cuidado ético e com a transformação social. A exposição revelou, nas entrelinhas, o papel essencial da Universidade como espaço para a formação de profissionais com olhares mais humanos, onde a graduação ultrapassa a técnica e ganha corpo no encontro e na empatia.